Há em nossa sociedade preceitos normativos de todas as espécies. Alguns deles são os que norteiam a sexualidade. Os sujeitos são classificados e hierarquizados de acordo com a aparência de seus corpos (as “marcas” da raça, gênero, geração, condição social...), através das suas sexualidades, de seus modos de vida. A teoria queer arrisca em criar preceitos antinormatizadores, que permitem pensar os sujeitos fora dos limites impostos por determinada cultura, no nosso caso a cultura heteronormativa ocidental, que coloca a heterossexualidade como uma expressão natural dos prazeres e dos desejos de todos os indivíduos.
Porém, os indivíduos embarcam em uma extraordinária viagem entre as várias, aliás, infinitas possibilidades de identidades, pois mesmo com fronteiras bem definidas, há aqueles sujeitos que rompem as regras e as transgridem. Dentro das escolas, são esses os alvos das pedagogias corretivas. O queer não pretende instaurar um novo processo de sujeito, mas esclarecer o caráter cultural e não-fixo de todas as identidades, “não se trata de ter sua figura como exemplo, mas entendê-la como desestabilizadora e geradora de novas percepções” [LOURO, Guacira]. A intenção aqui é eliminar a binaridade de gênero.
O atual modelo normatizador da sociedade, que doméstica corpos e almas, não é suficiente com relação aos “novos sujeitos” e suas “novas demandas” que nascem em meio ao construto normativo social. As identidades sexuais (gay, lésbica, bissexual, heterossexual...), com seus contornos e limites, são questionadas justamente por não abarcarem a complexidade e pluralidade das possíveis práticas e formas da sexualidade. Portanto, a proposta pedagógica de desconstrução do binarismo conceitual (homem/mulher, heterossexual/homossexual, p. ex.) e a tentativa de mostrar as suas interdependências e não suas oposições.
Por isso, a necessidade de uma subversão, no sentido em que ela reside no momento da “não-inteligibilidade”, ou seja, “o ponto que não se consegue explicar ou pensar, para daí abandonar as regras criadas e reforçadas pela ordem” [LOURO, Guacira].
A instituição escolar se mostra um dos aparelhos mais eficientes no controle da sexualidade, dos corpos e das almas. Elas proliferam o único modo “normal” de masculinidade e feminilidade, e uma única saída de desejo sexual, a heterossexualidade. Sair destes esquemas é transgredir/desconsertar, assim como “um corpo estranho” questiona as estruturas normatizadoras.
Cabe pensar é que nossa época ainda pensa a sexualidade como foi concebida no século XIX pela ciência, ou seja, pensa binariamente. Por isso, a importância de se questionar, de subverter a ordem de pensamento da sexualidade. As marcas de gênero e sexualidade são invenções sociais, portanto, contingentes e deste modo, mutáveis e não fixas como pensamos sê-las.


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