sábado, 11 de setembro de 2010

Somos sim! Bicha, Puta, Sapatão e Maconheiras...




Queer é um termo inglês que significa estranho, mas era empregado para designar os homossexuais masculinos que eram considerados excessivamente efeminados de forma pejorativa, assim como os termos “viado”, “bicha”, “boiola” e tantos outros conhecidos no Brasil.

Atualmente queer é utilizado para abranger todas as formas de sexualidade que são consideradas “estranhas” dentro da heteronormatividade. Nas artes o queer pode ser identificado com o camp “uma estética de sensibilidade em que algo atraente é devido ao seu ‘mau gosto’ e ‘irônia’”. Percebe-se que em ambos existe um conteúdo ironizado, uma espécie de protesto para seus objetos que são considerados de mau gosto, feio, inferior...

Vê-se o quanto os discursos são construídos para a inferiorização daquilo que não é interessante para o Sistema, cria-se instrumentos de subalternização dessas categorias que são reproduzidas deste a educação de cada indivíduo. Bicha, viado, sapatão, traveco são termos que carregam em si mesmos estes discursos inferiores.

A sexualidade é performática! Assim como o gênero. A partir dos discursos proferidos cada individuo atua conforme as especialidades pré-estabelecidas. O camp estando ligado ao campo das artes, imagético, encontra na performance artística um modo de ironizar esses discursos e de desconstruir esses significados, ou melhor, esses protocolos. Mais sobre o camp.

O importante é pensar que não devemos identificar os indivíduos pela sua sexualidade. Cada individuo possui uma subjetividade complexa, negar isso é ridículo, afinal estamos vivos e temos consciência desta realidade. Me chamem de bicha, puta, maconheiro, mas não se esqueçam que ainda existe um ‘eu’ que pode ser conhecido e que não se reduz a esses meros conceitos redutores e “objetivos”( para os olhos de alguns)...




Cena do filme Pink Flamingos (1972) dirigido por John Waters lançado no circuito underground, um dos maiores ícones do cinema camp.





Teu pai já sabe? - Cuida da tua vida

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Introdução



Quão libertos somos?

Uma pergunta a se fazer para todos os que se intitulam ‘libertários’. Somos acoimados em todos os âmbitos de nossas vidas, como animais domesticados para reproduzir todos os discursos proferidos pelo Sistema. Somos corpos domesticados!

Falarei aqui do Queercore um filho do punk que resolveu caminhar pelos guetos gays. Tão sujo quanto o punk o queercore se utiliza da música como forma de manifestação contra os preconceitos proferidos pela heteronormatividade e também pelas categorias dadas aos gays pelos movimentos sociais LGBT. Enquadrar todos esses sujeitos, cada um dono de uma sexualidade particular e abstrusa, dentro de uma categoria universalizadora, pode ser um dos mundos possíveis, mas não é a resolução para a complexidade que é o campo da diversidade sexual.

Não se trata apenas de uma reivindicação do campo da política, mas uma reivindicação subjetiva. “Eu não me enquadro nesta categoria a qual me encaixaram” E aí eu não sou Gay?

Entender a contribuição dos movimentos sociais LGBT é plausível, mas continuar a reproduzir estas enfadosas categorias generalizadoras, é caminhar para uma nova forma de repressão, esta porém reproduzida pelo próprio movimento gay. O individuo não deve ser identificado diretamente pela sua sexualidade, ele é um individuo que contem suas próprias características que muito das vezes não são marcadas pela sua sexualidade.

A proposta aqui não é simples: definir um conceito sem definir o individuo.

No impresso de divulgação da segunda edição do Queerfest, em março de 2008, foi publicado um texto de Michelle o’Brien intitulado How to define a term without defining the person – como definir um termo sem definir a pessoa – que diz: “Vejo-me relutante em dizer sou um homem ou sou uma mulher, ou fui um homem ou fui uma mulher ou me tornei isto ou aquilo; tão quanto me sinto relutante em dizer sou intersexual, ou sou transgênero ou sou intergênero, ou sou gay, ou sou lésbica, ou não sou gay – porque isso não define quem sou. São apenas formas de me categorizar, de modo que outros tenham poder sobre mim; este poder é tão significante que todas as forças do Estado e da medicina se envolvem na tentariva de forçar tal conformidade…” Esse pensamento, que parece proceder da História da Sexualidade de Foucault, expressa de forma pungente o desafio considerável que o queercore, enquanto proposta política, ainda tem de enfrentar.

Queercore pode ser definido na seguinte colocação: “(…) Talvez a definição esteja baseada mais na expressão individual, mas dizem que é o tipo de coisa que você reconhece quando vê. Ao invés de tentar categorizar e definir, as pessoas tendem a se juntar a ele, exatamente por sua diversidade, por ser interessante e pelas possibilidades a serem desenvolvidas a partir do conceito original. Muitas pessoas optam por usar o termo queercore pra se afastar das imagens trazidas pela associação com o movimento punk, e para incluir tanto os punks gays como todas as outras coisas que refletem suas idéias básicas (…).” – Revista Oasis